segunda-feira, 7 de julho de 2003

Beber Vinho

Salazar dizia que beber vinho dava de comer a um milhão de Portugueses.
Hoje os nossos vinhos apostam no marketing, ganham prémios e são bons. Temos boa pinga!
O perigo de o consumo de vinho ser dizimado pelo consumo de cerveja está ultrapassado e se a cerveja é bebida dos mais novos, mais tarde "conhcecem" o vinho e ficam amigos!
A minha questão prende-se com os preços a que os restaurantes vendem os vinhos. Uma garrafa de BSE que custa 3,5€ no José Maria da Fonseca em Azeitão, e 4,5/5€ nos supermercados, nos restaurantes vai para os 10/12€.
Compreendo que os restaurantes ganhem bom dinheiro nos pratos que confeccionam, uma vez que os ingredientes são por vezes rapidamente pereciveis (veja-se o peixe e o marisco) e existe a arte do cozinheiro. Mas, comprar uma garrafa de vinho, pô-la a refrescar meia duzia de horas, abri-la e servi-la, e ganhar mais de 100% com este trabalho mínimo é uma roubalheira e uma condicionante fortíssima a que se bebam vinhos de qualidade nos restaurantes. Dai a opção mais comum: uma cervejinha ou um vinhaço da casa!

Ai vai uma carta para a malta dos Restaurantes:

"Exmos. Donos de Restaurantes e afins

Enquanto Português que me orgulho de ser, considero o vinho parte da nossa herança cultural, e porque não dizê-lo, parte de nós mesmos (pelo menos daqueles que o vazam!).
Os Srs. ganham demasiado com o vinho em relação ao pouco trabalho que têm. Tornando o produto demasiado caro, a roçar a roubalheira, desviam os consumidores para as gamas mais baixas (leia-se vinho da casa) e para a cervejinha.
Desta forma não promovem o bom vinho (com o qual ganhariam mais se baixassem a margem de lucro) e poderão a prazo condenar algum do bom vinho Português e beneficiar o produtores do vinho a martelo.
Mais, enquanto o vinho rasca me dá umas tremendas ressacas, a cervejinha faz-me aumentar a barriguinha! Pensem nisto!
Procurem diminuir os produtos estragados, ganhar clientes para os restaurantes (boa comida, preço acessível, serviço simpático, ganhando pouco de cada vez na óptica de manter o cliente), inovar nos pratos, comprar bons ingredientes (em especial carne e peixe), sobremesas caseiras e deliciosas, etc.
Ser o vinho a recuperar as fracas margens nos outros produtos, não!
Organizem-se e deixem o vinho de qualidade respirar!
Não abafem o vinho...

Cumprimentos vitivinícolas,

Al Cagoita"

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