sexta-feira, 22 de agosto de 2003

A nova moda: contabilizar mortos!

De há uns tempos para cá tornou-se moda contabilizar mortos. Em todos os telejornais temos que ouvir a actualização de:
- mortos, feridos graves e feridos ligeiros ocorridos nas estradas portuguesas;
- mortos nas praias Portuguesas;
- mortos devido aos fogos florestais;
- mortos (Portugueses e Luso-descendentes) na África do Sul;
- mortos devido à vaga de calor;
- mortos (soldados dos EUA) no Iraque;
- mortos em Israel e na Palestina;

Esta forte tendência torna os telejornais autênticos velórios noticiosos.
Veja-se a questão dos mortos devido à vaga de calor, originária de França, e onde os nossos jornalistas querem à força que os hospitais lhes dêm dados dos mortos devido à vaga de calor, quando, por aquilo que vários médicos explicaram, o calor em si não costuma ser uma causa única para a morte, contribuindo sim para o agravamento de outras doenças. Mas, isso não lhes interessa, eles querem números de mortos, números de mortos e números de mortos.
Do Iraque chega-nos todos os dias a actualização dos soldadados dos EUA mortos. Sobre mortes de Iraquianos nada. Zero. Nem uma simples aproximação.

Já imagino a criação de um campeonato de mortes, tipo totoloto. Algo do tipo "totomorte". Eis o slogan:
"Esta semana não deixe de apostar. Puxe da sua parte sádica e aposte. Conflito Israel/Palestina, preveja quem mata mais esta semana. Quantos soldados dos EUA irão morrer nos próximos dias? Quantos Portugueses irão morrer na praia estes dias? Os fogos voltarão a matar? Os mortos podem dar-lhe dinheiro. Aposte nas mortes e goze mais a vida".

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