sexta-feira, 8 de abril de 2005

Ser Pai...

O Alexandre nasceu no dia 5 pelas 15.01h. Como foi cesariana tive que esperar. O telemóvel acompanhou-me e joguei ténis de mesa enquanto esperava.
Pouco depois passou por mim embrulhado numa espécie de aluminio e as enfermeiras disseram que o podia ver por alguns segundos. Foram segundos mágicos, momentos para relembrar para o resto da vida. E de pensar que damos por vezes tanta importância a merdices sem valor... quando comparadas com o valor de uma nova vida.

Alguns minutos mais tarde pude ir vê-lo. Estava já vestido, dentro de um berço de ferro do hospital, e debaixo de um aquecedor. As mãos estavam roxas e parecia choramingar.

Pelas 18h saí e quando voltei pelas 19h tinha sido levado para a Unidade de Cuidados Intensivos (UCI). Nem sei o que pensei. O pior. Logo o pior. Tanta felicidade rasgada num só segundo. O que teria o meu bébé, o meu filho? Parece que tinha engolido liquído amniótico quando nasceu (uma vez que foi cesariana) e estava com náuseas devido a isso e então não aceitava alimentar-se. A solução foi dar-lhe soro. Fui vê-lo à incumbadora e estava todo nu (apenas com a fralda),com um tubo enfiado da boca ao estomago para sugar o tal líquido e com várias ventosas no corpo todo para monitorizar o seu comportamento. Viam-se bem as pernas magrinhas e notava-se perfeitamente a sua acelerada respiração (que vim a saber ser normal nos recém-nascidos).

Essa noite foi difícil. Se por um lado parecia ser algo de somenos importância, por outro era um bébé com horas de vida e com fracas defesas. A noite que deveria ser de comemoração foi de angústia, inquietação, medo.

No dia 6 pelas 9h liguei logo para a UCI. Já estava melhor e aguardava que o médico o visse para saber se poderia ir para junto da mãe.

Voltei a ligar pelas 12 h e já estava junto da mãe, logo livre de perigo.

Pelas 14h fui vê-lo e tive que lhe cortar as unhas. Foi difícil... mas reconfortante, pois estava todo arranhado e com as unhas cortadas já não se poderia ferir. Foi a nossa primeira tarefa a dois...

Hoje, dia 7 já lhe peguei ao colo e já o pus a arrotar. Já conversámos.

Uma palavra especial para a mãe Edia, que tem sofrido muitas dores devido à cesariana, mas que se está a revelar uma lutadora e uma boa mãe. Um grande beijinho para ela.

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