Amanhã vou acorrentar qualquer coisa!
Enquanto estiver a fazer a barba vou decidir. O que trancar. Cadeado e corrente já tenho. Modelo Coimbra/2003. Prontinhos a estrear.
Vou decidir qual o órgão, empresa, café, restaurante ou serviço público contra o qual estou contra. Depois de estar contra, TUNGA, corrente com ele. E cadeado. E de lá não saio. Venham todos que não saio. Afinal de contas, eu estou contra e tenho de ser ouvido. E enquanto não me ouvirem e não acederem aos meus pedidos eu não saio! NÃO SAIO! Não saio eu, a corrente e o cadeado. E nem pensem em chamar a Polícia! A Polícia é para seguir gatunos! Eu sou um simples cidadão desta País lutando contra! Tenho os meus direitos!
E como tenho direitos vão ter que gramar com a pastilha. Eu vou lutar, manifestar-me na rua, agitar cartazes contra.
E quem quiser entrar, não entra. Simples, não? Não entra, porque não tive o trabalho de comprar a corrente, cortar a corrente, polir a corrente, pintar a corrente, olear a corrente, escolher o cadeado, comprar o cadeado, colocar o cadeado na corrente e ambos na porta para agora vir alguém a ... entrar! NÃO!
Quem está comigo, está. Quem não está, estivesse. Logo entra cá para a semana. Talvez. Pois continuo bastante indignado com a minha própria indignação. Nada mudou ainda.... Se calhar fui pouco contra... Deveria ter fechado também as portas e as janelas? Deveria ter feito greve de fome? Eu precisava de ter lá malta comigo, a agitar, a fazer barulho. Eram mais direitos em jogo, era mais bagunça e confusão.
Continuo contra. Ainda não me passou. Se a corrente e o cadeado não chegaram, mais qualquer coisinha há de se arranjar. As pessoas têm que perceber que eu tenho toda a razão em estar contra e deverão agir em conformidade. Mudar as leis, alterar os preços, melhorar o serviço ao balcão.
Se não, para a próximo corto a estrada!