quarta-feira, 22 de dezembro de 2004

O eterno Défice

O défice foi uma das grandes bandeiras do PSD aquando da campanha eleitoral de 2002. O PS, em 2001, não teve a preocupação de arranjar receitas extraordinárias e fez com que o País ficasse mal visto na UE e tivesse um processo.

O Governo PSD/PP, em 2002 e 2003, tendo défices reais acima dos 3%, sempre conseguiu, com recurso a receitas extraordinárias, conter o défice dentro dos limites exigidos. O défice real sempre foi superior a 3%, mas com as receitas extraordinárias conteve-o. Não é muito bom para o País, não acrescenta nada em termos de efeciência na utilização dos dinheiros públicos, mas foi útil para nos mantermos no clube dos bem comportados, dos que cumprem.

Nestes dois anos foram feitas algumas reformas de fundo, que mais tarde trarão benefícios. Sem um crescimento forte do PIB (acima de 2%), é impossível conter mais as despesas. O Governo nestes anos limitou-se a estancar a hemorragia. Mais era impossível.

O Governo não pode terminar funções deixando que o défice de 2004 ultrapasse os 3%. Custe o que custar. Porque é mau para a credibilidade dos dois partidos do Governo e porque é maus para a credibilidade nacional.

Talvez em 2006 já possamos viver sem recurso a receitas extraordinárias... se o próximo Governo não for mãos largas e não alimentar o famoso "monstro".
Na Senda de Melhores Políticos...

O meu amigo Tiago enviou-me este artigo e tive que o colocar aqui no blogue...


Na Senda de Melhores Políticos
Por PAULO AMARAL DE SOUSA, José Peres Jorge, Maria do Rosário Moreira, Rui Henrique Alves e Samuel Alves Pereira
Público, Domingo, 19 de Dezembro de 2004

O grito de alerta que Cavaco Silva difundiu na sociedade portuguesa teve ecos cujas ressonâncias ainda hoje se fazem sentir, pois, na verdade, cada um de nós, no retiro da sua meditação, já tinha visto que a qualidade dos actores políticos se abandona, regra geral, pelo precipício da decadência. O artigo de Cavaco deu voz pública a esta angústia geral. Porém, constatar a realidade de pouco vale, ou, valendo alguma coisa, que valha, ao menos, para induzir em nós uma disposição de combate: é preciso saltar desta letargia depressiva, atacar o problema com o pensamento e actuar em conformidade.

A primeira grande questão que deve responder-se é esta: porque temos assim tão maus políticos? A resposta é complexa: para uns, é a baixa remuneração dos cargos políticos, a qual tende a repelir os bons políticos (porque melhor fariam dedicando-se a profissões mais lucrativas), deixando flanco aberto para o rebanho imenso dos maus políticos; para outros, é a superabundância da mediocridade, a qual grassando na classe política, não a prestigia e, por isso, põe a milhas mesmo aqueles que, menos apaixonados pelo dinheiro, se devotariam a tal actividade unicamente pelo prestígio daí decorrente; outras razões se poderiam aduzir ainda, mas, porventura, menos relevantes.

Para nós, como para John Galbraith - esse grande economista de Harvard que tão profundamente estudou o Poder -, existe uma mais preponderante fonte de poder: a organização. É que ainda nenhum estudo ou inquérito foi feito para que se apurasse o número e a qualidade de todos aqueles que tomam (ou tomariam) a iniciativa individual de se aproximar da política e que são, pura, simples e literalmente, esmagados nas suas mais nobres pretensões por essas gigantescas máquinas que são os aparelhos partidários. Como podem aqueles jovens, os mais capacitados, os mais sonhadores, os mais tocados pela vocação política - que os há ainda muitos - combater sozinhos a barragem intransponível que enfrentam nas portadas dos partidos? Como podem eles se levam como únicos aliados os seus ideais? O pé do elefante é demasiado pesado mesmo para a mais determinada formiga... Por vezes apelam à participação destes sonhadores, sim, mas apenas para fazer número, para fazer de figurantes, em jantares e em festividades do partido...

É aos líderes que compete fazer cair estas barreiras. Têm essa responsabilidade patriótica, esse dever cívico. No entanto, no discurso político oficial e oficioso destes não se lobriga o menor vislumbre de intenção ou de planos de promoção da qualidade no seio das organizações que dirigem. Se eles não tomam a iniciativa de facilitar o acesso de gente de qualidade aos partidos, quem mais a poderá tomar? Os melhores bem que podem acorrer todos aos partidos... mas de lá todos vêm recambiados, pois que não vão em grupo organizado, ou sequer em grupo. Se estivessem organizados, constituiriam uma força política e o problema de que padece a nação portuguesa não existiria.

Talvez o escrutínio público pressione os líderes a deixar vingar os mais competentes nos partidos. Por isso, aqui fica uma palavra de repto à comunicação social: perguntem aos dirigentes partidários, todos os dias, todos os meses, todos os anos, nas televisões, nas rádios, nos jornais, pelas medidas que tomaram, nesse dia, nesse mês, nesse ano, para promover a vinda de novos valores para a vida política.

Docentes da Faculdade de Economia do Porto

segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

Pinto da Costa e Al Capone

Al Capone vendia bebidas alcoólicas nos EUA na altura da Lei Seca. Era terminantemente proíbido vender álcool e a polícia andava em cima dos infractores.
Al Capone fez fortuna com o álcool e nunca foi apanhado nessa actividade ilegal. Foi preso por fuga aos impostos.

Porque será que associei esta estória a Pinto da Costa?
A coligação PSD/PP

Por princípio sou contra a coligação pré-eleitoral. Neste momento, penso que é a única saída possível.
E admiro a forma como Paulo Portas se está a portar, sendo ele a decidir se quer ou não quer.... como ficará Santana se Portas disser que não quer ir com ele a votos?!!!
Grande artista...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

Pinto da Costa detido para interrogatório

Finalmente... o Papa a contas com a justiça ... com um atraso de vinte anos!
As trapalhadas de Sampaio

Primeiro anuncia que vai dissolver a Assembleia da República, caindo o Governo, e convocar eleições.
Os motivos são vários, entre eles o facto de o orçamento ser contestado por algumas forças sociais.

Depois, faz saber que o parlamento e o governo estão em plenitude de funções, chegando até a dar posse a dois secretários de estado. E, pelo que se sabe, só vai dissolver o parlamento após a aprovação do orçamento (aquele que era contestado por muitos), não dando no entanto a garantia da sua promulgação.

E a Assembleia da República, "ferida de morte" como disse Mota Amaral, vai andar a aprovar um orçamento de um governo que está prestes a cair... É como se uma pessoa estivesse à beira da morte e lhe fossemos vender lindas viagens de cruzeiro...

Entretanto, a bolsa de valores cai todos os dias fruto da instabilidade política.... provocada por Sampaio!

Se queria que o orçamento fosse aprovado, porque não deixou que fosse aprovado na AR e depois logo a dissolvia?
Porque não convocou o Conselho de Estado para se pronunciar sobre a dissolução do Parlamento, indo agora para a reunião com a decisão já tomada?

Anuncia a dissolução do Parlamento não se sabe para quando, desestabilizando o País e prejudicando a economia, para quê?
Anuncia a dissolução do Parlamento sem explicar as razões ao País, permitindo a especulação, para quê?

Se fosse Governo recusava-me a aprovar o orçamento e entregava o "menino" nas mãos do PR. Criaste a confusão, agora desenrasca-te!

Dr. Sampaio, analise os prejuízos que causou ao País e demita-se!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2004

Carta aberta ao Sr. Presidente da República

Exmo. Sr. Presidente da República Dr. Jorge Sampaio

Quando em Julho passado o Sr. empossou o Dr. Pedro Santana Lopes ficou também responsável pelo futuro da governação.
Passados quatro meses, que é um prazo exíguo para qualquer análise intelectualmente honesta sobre a governação do País, vem V. Exa. dar o dito pelo não dito. Terá agora de actuar em conformidade.
O País não se pode dar ao luxo de ter a sua primeira figura a funcionar de forma inconstante e errónea, qual cata-vento, causando sérios prejuízos a Portugal e aos Portugueses.
Com esta atitude errática, V. Exa. entrou na galeria dos Presidentes da República de esquerda cujo único objectivo é deixar o PS no poder quando terminam o mandato. O Dr. Soares foi o primeiro.
V. Exa. conseguiu ser o único Presidente da República a dissolver o parlamento quando existe uma maioria estável no hemiciclo.
Compreende-se agora que o seu apoio ao Dr. Pedro Santana Lopes não foi sincero. V. Exa. não poderia ficar na história como uma pessoa de esquerda que não ajudou os seus. Agora, V. Exa. já não tem esta dívida.
Demita-se Sr. Presidente e, se puder, poupe-nos a mais um discurso barroco.

Com os Melhores Cumprimentos,

João Nuno Neves

envie também um fax ao PR para o número 21-3614611